A d. Rodrigo de Sousa Coutinho
Ilmo. Exmo. Sr.
Vendo eu que os diferentes linhos desta capitania podem servir para muitos fins úteis e vantajosos, incumbi ao naturalista Manuel Arruda da Câmara fazer uma memória sobre os ditos linhos, do modo que eu participei a V. Ex.a no meu ofício no 12, do ano passado, a qual remeti a V. Ex.a em primeira via, e juntamente as amostras de pano, fio e renda que mandei fazer dos ditos linhos, as quais foram em um caixão que fiz entregar ao segundo tenente e comandante do correio marítimo de Olinda, Joaquim Manuel Mendes.
Tudo mostra, evidentemente, as grandes utilidades que podemos tirar da cultura e fabrico dos ditos linhos; as experiências, porém, é que só podem decidir quais devem preferir, devendo, portanto, lembrar a V. Ex.a que as vilas dos índios que forem situadas perto de algum rio, e mais vizinhas de qualquer porto de embarque, são as mais próprias e cômodas para a cultura e fabrico dos mesmos linhos, mandando para cada uma um casal de ilhéus de toda a probidade, que ensinasse aos índios preparar e beneficiar os mesmos linhos, com instrumentos precisos e necessários e servindo de diretor da respectiva vila o cabeça do mesmo casal.
No sobredito caixão iam também os petrificados que me foram remetidos pelo naturalista Manuel Arruda da Câmara, com as suas respectivas observações.
Deus guarde V. Ex.a por muitos anos. Paraíba, 30 de maio de 1801.
Fernando Delgado Freire de Castilho