Formato: 12 x 18 cm
120 páginas
2 mapas
ISBN 978858648827-6
A Lembrança de um tripulante da nau de guerra Nossa Senhora de Belém aos amigos curiosos, título que atribuímos ao diário manuscrito de 1777 localizado na biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa (Série vermelha – MS 649), narra as ações e manobras da esquadra portuguesa comandada pelo irlandês Robert Mac Douall. Frente às ameaças de uma nova invasão espanhola, o marquês de Pombal providencia, a partir de 1762, a formação de regimentos de infantaria de linha para defender a costa brasileira. Com a iminente chegada da esquadra espanhola, comandada por d. Pedro de Ceballos e que zarpara da Espanha em 13 de novembro de 1776, esses regimentos são deslocados e passam a se concentrar na região do Rio Grande de São Pedro e da ilha de Santa Catarina. Porém, mesmo com o apoio da Esquadra Sutil, de Mac Douall, as forças portuguesas não são suficientes para barrar a imponente expedição inimiga, e a Ilha de Santa Catarina passa então a ser ocupada pelos castelhanos. Os fatos aqui narrados precedem, em alguns meses, o tratado de Santo Ildefonso (1777), assinado pela rainha d. Maria I e por el-rei d. Carlos III na intenção de resolver a discórdia entre as duas coroas. Portugal recupera, assim, o território ocupado por d. Pedro de Ceballos, enquanto a Colônia do Sacramento e os Sete Povos das Missões passam à Espanha. O novo tratado de limites estabelece o fim das lutas territoriais entre as duas coroas ibéricas e cria a necessidade de novas expedições de demarcação dos limites dos domínios portugueses na América. Domenico Vandelli, diretor dos jardins botânicos de Lisboa e de Coimbra e professor de História Natural na Universidade de Coimbra, percebe e defende as vantagens da participação de filósofos naturalistas e desenhadores nessas expedições. Assim, a partir de 1779 são elaboradas instruções para preparar os discípulos de Vandelli para as viagens filosóficas, que tinham como objetivo principal inventariar as produções naturais do domínio ultramarino português. Alguns dos registros dessas atividades integram a coleção e o site O gabinete de curiosidades. Para escrever o prólogo, anotar e comentar o texto desta edição foi convidado o almirante Max Justo Guedes, cujos conhecimentos como homem do mar e pesquisador do período colonial brasileiro enriqueceram o relato, permitindo aos leitores um maior aprofundamento no universo da aventura narrada. Na Biblioteca de Évora (MSS. Códice CXVI/1-39 nº 10) está o “Diário da esquadra que saiu de Lisboa a 30 de janeiro de 1775 para o Rio de Janeiro e de lá para a concentração de Santa Catarina, destinada ao socorro do Rio Grande, sob as ordens de Roberto Mac Douall”. É atribuído a Manuel da Madre de Deus, sacerdote franciscano que se supõe ter falecido no Rio de Janeiro em 1780. Porém, não foi possível comparar o manuscrito de Évora com o texto da Lembrança para elucidar a autoria deste relato. A grafia e a pontuação foram atualizadas e eventualmente foram inseridas palavras entre colchetes, preposições, conjunções e outros sinais gráficos para facilitar a compreensão do texto.
Principais acervos consultados