No ABC do gabinete estão reunidas as palavras mais recorrentes nos livros que compõem esta caixa. Os verbetes deste pequeno abecê foram retirados da quarta edição do Diccionario da lingua portugueza, de Antonio de Moraes e Silva, com exceção dos verbetes curioso, doutor, gabinete1, herborizar, história natural, mapa e química, que fazem parte do dicionário etimológico de Antenor Nascentes A notícia biográfica de Moraes e Silva, no final do livro, tem como base o texto de Augusto Victorino Alves Sacramento Blake, no Diccionario Biobibliographico Brazileiro. Foram atualizadas a grafia e a pontuação dos textos. Os títulos dos livros, no entanto, permaneceram inalterados. Sobre o Diccionário da lígua portugueza A primeira edição do dicionário de Moraes foi publicada em 1789. Para a elaboração dos verbetes, Moraes utilizou livros clássicos da língua portuguesa e o dicionário de Bluteau, apesar de criticá-lo por entender que no Vocabulario portugues e latino há falta de “vocábulos e frases e muito freqüentemente sobejo em dissertações despropositadas e estranhas do assunto, que fazem avolumar tanto a sua obra”2. O editor, defendendo o dicionário de Moraes em relação ao de Bluteau, diz ainda que “querer limitar a língua clássica, pura e correta ao ano de 1700 é estreitar as raias de uma linguagem viva e formada [...] capaz de enriquecer-se [...] nas artes e nas ciências”3. As emendas e os acréscimos para a quarta edição do Diccionário da língua portugueza, publicada postumamente, foram feitos por Moraes e Silva no sertão de Pernambuco. Após a sua morte, os manuscritos foram enviados para seus editores em Lisboa, que finalizaram o trabalho.
1 O verbete gabinete possui duas versões neste livro: o da abertura é de Antenor Nascentes e o do abecê propriamente dito, de Domingos Vieira.
2 MORAES E SILVA, Diccionario da língua portuguesa. Lisboa: Imprensa, p. IX.
3 Idem, p. VII.
Principais acervos consultados