Sobre Francisco Antonio Sampaio sabe-se pouco. Nascido em Portugal, em Vila Real, Sampaio chegou ao Brasil ainda criança por volta do ano de 1748, segundo informação do próprio autor em carta de março de 1783. Viveu no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e na Bahia, onde escreveu a História dos Reinos Vegetal, Animal e Mineral, que deveria ser dividida em três tomos – cada qual tratando de um reino específico. No entanto, temos notícia apenas dos volumes referentes aos reinos vegetal e animal que foram remetidos à Academia das Ciências de Lisboa na década de 1780. O volume sobre o reino mineral nunca foi escrito ou se perdeu, assim como um outro manuscrito que continha a descrição da Vila da Cachoeira.
A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro possui dois manuscritos apógrafos dos tomos um e dois dessa obra. De acordo com Darcy Damasceno*, esses exemplares teriam chegado ao acervo da biblioteca no século XX. Antes disso, porém, pertenceram ao médico e químico português Joaquim José Henriques de Paiva e, depois, a Emílio Joaquim da Silva, que os doou em 1853 ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), sendo posteriormente repassados à Sociedade Farmacêutica. A obra permaneceu como manuscrito até o ano de 1969 quando foi editada por Darcy Damasceno nos anais da Biblioteca Nacional, em edição integral, na qual a grafia original foi mantida, mas as estampas não foram reproduzidas em cores.
DAMASCENO*, Darci. “Introdução”. In: História dos reinos vegetal, animal e mineral do Brasil pertencente à medicina. Por Francisco Antonio de Sampaio. Anais da Biblioteca Nacional. Vol. 69, 1969. pp. 5-8.
Esta edição é uma seleção de alguns trechos da História dos Reinos Vegetal, Animal e Mineral. O título Eu observo e descrevo faz alusão às contestações de Sampaio, por contrapartida às descrições originalmente feitas por Lineu (1707-1778) no segundo tomo do livro (onde estão descritos os animais), notadamente quando o autor brasileiro não as encontrava na obra do naturalista sueco.
Privilegiou-se, na escolha das imagens e textos desta edição, o que nos pareceu mais pertinente e característico para integrar O gabinete de curiosidades, critério de difícil adoção tendo em vista o estilo insinuante e as ricas observações de Sampaio.
Na parte dos vegetais, que Sampaio dividiu de acordo com as suas funções medicinais, manteve-se a ordem original: resolutivas; detergentes; incrassantes para uso interno; adstringentes; purgantes e eméticos; desobstruentes; contravenenos e febrífugos; diaforéticos; antivenéreos; anticólicos; antiespasmódicos; e refrigerantes e temperantes para uso externo.
Na parte dos animais, a ordem originalmente estabelecida por Sampaio – quadrúpedes; aves; anfíbios; peixes; e insetos – foi mantida, com pequenas alterações. Aqui, as alusões de Sampaio à obra de Lineu pontuam algumas das citações no início das suas descrições, porém as eventuais descrições em latim do Sistema Natural ficaram de fora desta edição. Foram mantidas, entretanto, as contestações de Sampaio, que, com o animal diante de seus olhos, o observava e descrevia de forma diferente daquela apresentada pelo naturalista sueco.
Na abertura do livro, apresentamos quatro cartas de Sampaio à Academia das Ciências de Lisboa que comentam sobre a escrita e remessa desses tomos e as dificuldades por ele enfrentadas na Vila da Cachoeira para exercer seus ofícios.
A grafia e a pontuação foram atualizadas e, eventualmente, a sintaxe das frases foi ajustada para facilitar a leitura. O livro foi transcrito a partir dos manuscritos que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional (FBN-RJ). Para o glossário do final do livro foram utilizadas principalmente as definições de Moraes e Bluteau.
Principais acervos consultados